Coordenação - DIR. DE ENSINO E TREINAMENTO - Paulo Otto Beyer |
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ARTIGO TÉCNICO
METAIS |
NOÇÕES DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL |
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Alumínio
Símbolo: AL
Estado: Sólido
Grupo: 3A
nº Atômico: 12
Peso Atômico: 26,981
Valências: 3
Isópos:
Fusão: 658 . C
Ebulição 2467
. C
O Alumínio é o metal mais abundante, e o terceiro elemento mais abudante em peso (depois do oxigênio e do silício) da crosta terrestre. É bem estudado e tem grande importância econômica, sendo produzido em grande escala. A Produção primária foi de 17,6 milhões de toneladas em 1988, aos quais devem acrescentar-se 5 milhões de toneladas de alumínio reciclado. O minério de alumínio mais importante é a bauxita. Trata-se de um nome genérico para diversos minerais, com fórmulas que variam entre Al 2 O 3 .H 2 O e AL 2 O 3 .3H 2 O. Em 1988, a produção mundial de bauxita foi de 100 milhões de toneladas. O Alumínio também ocorre em grandes quantidades em rochas do tipo dos alumínio-silicatos, tais como o feldspato e as micas. Quando essas rochas se decompõe formam argilas ou outras rochas metamórficas. Não existe um método simples ou econômico de extrair alumínio de feldspatos, micas e argilas.
O alumínio é obtido a partir da bauxita, que pode ser AlO-OH(AL 2 O 3 .H 2 O) ou Al(OH) 3 (AL 2 O 3 .3H 2 O). As principais fontes são Austrália (36%), Guiné (17%), Brasil (8%), Jamaica (7%) e a ex-União Soviética (6%). A primeira etapa é a purificação do minério. No processo Bayer são removidos materiais que acompanham o minério como impurezas de ferro e silício, pois podem afetar as propriedades do produto. Adiciona-se NaOH ao minério, e como o alumínio é anfótero, dissolve-se formando aluminato de sódio. O SiO 2 também se dissolve na forma de íons silicato. Todos os rejeitos insolúveis, particularmente o óxido de ferro, são removidos por filtração. Em seguida precipita-se o hidróxido de alumínio da solução fortemente alcalina de aluminato. Isso pode ser feito borbulhando CO 2 ( um óxido ácido que diminui o pH), ou então semeando a solução com AL 2 O 3 . Os íons silicatos permanecem em solução. O preciptado de Al(OH) 3 é calcinado e convertido em AL 2 O 3 purificado.
Pelo processo Hall-Héroult (mais utilizado) o AL 2 O 3 é fundido e misturado com criolita, Na 3 [AlF 6 ] e eletrolidado num tanque de aço revestido de grafita. A cela funciona continuamente e a certos intervalos o alumínio fundido (+/- 660 C ) é removido do fundo da célula, adicionando-se novas quantidades de bauxita. Parte da criolita consumida é produzida como minério na Groenlândia, mas a quantidade é insuficiente para atender a demanda, e grande parte é produzida sinteticamente.
Al(OH) 3 + 3NaOH + 6HF => Na 3 [AlF 6 ] + 6H 2 O
A criolita melhora a condutividade elétrica da célula, pois o AL 2 O 3 é um mau condutor de eletricidade. Além disso, a criolita é uma pureza adicionada que reduz o ponto de fusão da mistura a cerca de 950 C . Outra impurezas como o CaF 2 e AlF 3 , também podem ser adicionadas. No anodo formam-se vários produtos, incluindo O 2 , CO 2 , F 2 e compostos de carbono e flúor. Eles provocam o desgaste do anodo e devem ser trocados periodicamente. Os traços de fluor formados provocam séria corrosão. Utiliza-se atualmente grande quantidade de Li 2 CO 3 como impureza alternativa, pois provoca menor corrosão. O consumo de energia é muito elevado e o processo só é economicamente viável em regiões com disponibilidade de energia barata, geralmente de hidrelétricas.
O metal alumínio é moderamente mole e fraco quando puro, mas torna-se consideravelmente mais resistente quando combinado em ligas com outros metais. Sua principal vantagem é o seu baixo peso. Algumas ligas são utilizadas para finalidades específicas: duralumínio (com 4% de Cu) e bronzes de alumínio (ligas de Al/Cu ou /Ni, /Sn, Zn).Dentre os usos do alumínio pode-se citar:
1- Como metal estrutural em aviões, navios, automóveis e trocadores de calor.
2- Na indústria da contrução civil ( portas, janelas, divisórias, etc...)
3- Recipientes diversos, tais como embalagens para bebidas, tubos para pasta de dente, etc. e alumínio em lâminas
4- Na fabricação de utensílios de cozinha;
5- Na fabricação de cabos elétricos;
6- Na fabricação de tintas a base de alumínio.
Durante muitos anos supôs-se que o íon Al 3+ era completamente inofensivo e não tóxico para o homem. O hidróxido de alumínio é muito usado como anti-ácido em indigestão. O sulfato de alumínio é usado no tratamento de água potável; e utensílios de cozinha são fabricados de alumínio. O alumínio provoca intoxicações agudas em pessoas com insuficiência renal, que não conseguem excretar o elemento. Pacientes que sofrem da doença de Alzheimer (que causa senilidade) apresentam depósitos de sais de alumínio no cerebro. Esse elemento, embora tóxico, é normalmente eliminado com facilidade pelo organismo.
O metal alumínio tem cor branco-prateado. Do ponto de vista termodinâmico o Al deveria reagir com a água e com o ar, mas na realidade ele é estável frente a ambos. A causa é a formação de uma película muito fina de óxido de alumínio na superfície, que protege o material de um posterior ataque. Removendo a camada protetora, por exemplo, por amalgamação com mercúrio, o metal rapidamente se decompões em água fria, formando AL 2 O 3 e liberando hidrogênio.
Artigos de alumínio são frequentemente anodizados, para dar um acabamento decorativo. Faz-isso eletrolizando H 2 SO 4 diluído, usando o alumínio como anodo. Produz assim uma camada muito espessa de óxido sobre a superfície. Esta camada pode absorver pigmentos, colorindo o alumínio.
Outras reações podem ser citadas:
2Al + 6HCl => 2 Al 3+ + Cl- +3H 2
2Al + 2NaOH +6H 2 O => NaAl(OH) 4 ou NaAlO 2 .2H 2 O + 3H 2
8Al + 3Mn 3 O 4 => 4Al 2 O 3 + 9Mn
2Al + Cr 2 O 3 => Al 2 O 3 + 2Cr
Os compostos de alumínio, principalmente o aluminato tricálcico, são muito importantes como constituintes do cimento tipo Portland. Quando misturado com areia , cimento e água, o cimento se solidifica formando o concreto. Para favorecer a resistência adiciona-se de 2 a 5% de gesso, o que contribui para uma desaceleração da formação do concreto.
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Cobre
Símbolo: CU
Estado: Sólido
Grupo: 1B
nº Atômico: 29
Peso Atômico: 63,546
Valências: 1,2
Isópos: 2 estáveis
Fusão: 1083
Ebulição: 2567
O cobre é moderamente abundante, sendo o vigésimo-quinto elemento mais abundante, em peso, na crosta terrestre. Ocorre na proporção de 68 ppm em peso. Antigamente, pepitas de cobre eram encontradas, porém hoje em dia essa fonte está praticamente esgotada.O minério mais comum é a calcopirita, CuFeS 2 . Ela apresenta um brilho metálico e tem aparência semelhante à da pirita, FeS 2 , mas com uma coloração mais próxima da do cobre. Outros minérios são o sulfeto calcocita (CuS 2 ), a malaquita que é um carbonato básico de Cobre (CuCO 3 .Cu(OH) 2 ), cuprita (Cu 2 O) e o bornita (Cu 5 FeSO 4 ). A turqueza CuAl 6 (PO 4 ) 4 (OH) 8 .4H 2 O é uma pedra semi-preciosa, apreciada por sua coloração azul e veios delicados. Os minérios do grupo dos sulfetos são frequentemente pobres, contendo às vezes 0,6 a 1% de Cu. Os minérios são moídos e concentrados por flotação e espuma, formando um concentrado com até 15% de Cu. Ele é a seguir aquecido com ar:
2CuFeS 2 + 2,5O 2 => Cu 2 S + Fe 2 O 3 + 3SO 2
Adiciona-se areia para remover o ferro como escória de silicato de ferro, que flutua na superfície. Sopra-se ar através da mate líquida de Cu2S, que contém um pouco de FeS e sílica:
2FeS + 3 O 2 => 2FeO + 2 SO 2
FeO + SiO 2 => Fe 2 (SiO 3 ) 3
Cu 2 S + O 2 => Cu2O + SO 2
Após algum tempo, suspende-se o fornecimento de ar, ocorrendo a auto-redução do óxido e do sulfeto, formando cobre com pureza de 98 - 99%.
Cu 2 S + 2Cu 2 O => 6Cu + SO 2
O cobre resultante é fundido em blocos e refinado por eletrólisa, usando eletrodos de Cu com um eletrólito de H 2 SO 4 diluido e sulfato de cobre.A extração mundial de cobre por mineração foi de 8,7 milhões de toneladas em 1988. Os principais produtores de cobre são o Chile (17%), EUA (16%), Rússia(11%), Canadá (8%), Zâmbia (5,5%), Zaire e Polônia com 5% cada. Além disso, foram reciclados 2,1 milhões de toneladas de metal, levando a uma produção total de 10,8 milhões de toneladas.O metal é utilizado na indústria elétrica por causa da sua elevada condutividade. Também é utilizado em tubulações de água, por causa de sua inércia química. Existem mais de 1000 ligas diferentes de cobre, dentre as mais importantes pode-se citar o bronze, a prata alemã, o bronze de fósforo e várias ligas para a fabricação de moedas.
O sulfato de cobre é produzido em grandes quantidades (146.500 ton em 1985). Diversos compostos de cobre são utilizados na agricultura, como por exemplo, o hidróxido de cobre, utilizado como spray contra certos fungos que atacam as folhas da batata e também contra fungos da videira.
Outra aplicação do cobre é como matéria-prima de supercondutores.Em galvanoplastia , o processo de cobreação é utilizado como base para outros processos como Níquel, Estanho, Ouro e Prata. Tem-se assim uma camada mais aderente e resistente.
Algumas reações podem ser citadas:
3Cu + 8HNO 3 => 3Cu(NO 3 ) 2 + 2NO + 4H 2 O
Cu + 2H 2 SO 4 => CuSO 4 + SO 2 + 2 H 2 O
Cu 2+ + S 2- => CuS (precipitado preto)
CuSO 4 + H 2 S => CuS + H 2 SO 4
3CuS + 8HNO 3 => 3Cu(NO 3 ) 2 + 2NO + 3S + 4H 2 O
Cu 2+ + 2OH - => Cu(OH) 2 (precipitado azul)
Cu(OH) 2 => CuO + H 2 O
2Cu 2+ + [Fe(CN) 6 ] 4- => Cu 2 [Fe(CN) 6 ] (marrom avermelhado)
Cu 2+ + 2CN - => Cu(CN) 2
2Cu(CN) 2 => Cu 2 (CN) 2 + (CN) 2 (gás)
Cu 2 (CN) 2 + 6KCN => 2K 3 Cu(CN) 4
O cobre é essencial à vida e uma pessoa adulta tem no organismo cerca de 100 mg de Cu. É a teceira maior quantidade de um metal de transição, inferior apenas aon Fe (4g) e ao Zn (2g). Embora pequenas quantidades de Cu sejam essenciais, quantidades maiores são tóxicas. As necessidades diárias na alimentação são da ordem de 4 a 5 mg de Cu, e em , animais a deficiência dessem metal resulta na incapacidade de aproveitar o ferro armazenado no fígado. Dessa forma o animal passa a sofrer de anemia. O Cu liga-se a proteínas do organismo, como metalproteínas, ou como enzimas. Entre os exemplos estão várias oxidases e "proteínas azuis", como:
1- Amino oxidases (responsáveis pela oxidação de aminas)
2- Ascorbato oxidases (oxidação do ácido ascórbico)
3- Citocromo oxidase (atua com a heme na etapa final de oxidação)
4- Galactose oxidase ( oxidação do grupo OH e do grupo CHO no monossacarídeo galactose).
5- Lisina-Oxidase, que afeta a elasticidade das paredes da aorta;
6-Dopamina-hidroxilase, que afeta a função cerebral.
7- Tirosinase, que afeta a pigmentação da pele;
8- Ceruloplasmina, que exerce um papel no metabolismo do Fe.
A doença de Wilson é uma deficiência hereditária de ceruloplasmina, que provoca acúmulo de Cu no fígado, rins e cérebro. Essa doença é tratada administrando um agente quelante como EDTA. O Cu forma complexo e é eliminado. Ao mesmo tempo muito outros metais essenciais, envolvidos em outros sistemas enzimáticos,formam complexos com o EDTA e são removidos. O tratamento interfere assim em muitos sistemas enzimáticos, então todo o tratamento deverá ser cuidadosamente monitorado com a reposição total de todos os metais perdidos.
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Cromo
O cromo é o vigésimo primeiro elemento mais abundante na crosta terrestre, em peso. Sendo assim é produzido em grtande escala e empregado em grandes quantidades em ligas de ferro e com metais não-ferrosos além da eletrodeposição.
O único minério de cromo de importância industrial é a cromita, FeCr 2 O 4 . Ela é o análogo de cromo da magnetita, Fe 3 O 4 . A cromita tem um leve brilho e um aspecto semelhante ao piche, com tons de marrom na cor. Ela pode ser ligeiramente magnética. A produção mundial de cromita em 1988 foi de 11,7 milhões de toneladas, sendo os principais produtores a Àfrica do Sul (36%), a ex-URSS (28%), Turquia (7%), Índia (6,5%), Albânia (6%) e Finlândia e Zimbabue (5% cada).
O cromo é obtido em duas formas: ferrocromo e o metal cromo puro, dependendo do uso que se destina. O ferrocromo é uma liga contendo Fe, Cr, e C. Em 1988 foram produzidas 3,3 milhões de toneladas de ferrocromo. É obtido reduzindo a cromita com C. É empregado na obtenção de muitas ligas de ferro, incluindo o aço inoxidável e o aço-cromo, muito duro.
FeCr 2 O 4 + C =(forno elétrico)=> (Fe + 2Cr) + 4CO
Diversas etapas são necessárias para a obtenção do cromo puro. Inicialmente a cromita é fundida com NaOH em presença de ar, com o que o Cr se oxida a cromato de sódio.
2FeCr 2 O 4 + 8NaOH + 1,5 O 2 =1100.C=> 4Na 2 CrO 4 + Fe 2 O 3 + 4H 2 O
O Fe 2 O 3 é insolúvel, mas o cromato de sódio é solúvel. Assim, pode ser removido por dissolução em água, solução que é então acidulada para formar o dicromato de sódio. Este é menos solúvel, podendo ser precipitado. O dicromato de sódio é reduzido pr Cr2O3 por aquecimento com C.
Na 2 Cr 2 O 7 + 2C => Cr 2 O 3 + Na 2 CO 3 + CO
Cr 2 O 3 + 2Al => 2Cr + Al 2 O 3
Como o metal é quebradiço, raramente é usado como metal puro, porém o é para preparar ligas não-ferrosas. Em outro uso, o Cr 2 O 3 é dissolvido com ácido sulfúrico e depositado eletroliticamente sobre a superfície de um metal. Isso protege o metal da corrosão e lhe comunica um aspecto brilhante. Outra aplicação desta substância é a aplicação sobre revestimentos de zinco, no qual recebe o nome de camadas de conversão.O Cr é inerte ou passivo a baixas temperaturas, por ser revestido por uma camda superficial de óxido, assemelhando-se ao titânio, vanádio e alumínio. Por causa deste comportamento passivo, o Cr é extensivamente usado em eletrodeposição sobre o ferro ew outros metais para evitar a corrosão. Ele é solúvel em Hcl e H 2 SO 4 , mas torna-se passivo frente a HNO 3 ou água-régia.
Cromatos e dicromatos
O cromato de sódio é um sólido amarelo, que a rigor deveria ser chamado de cromato (VI) de sódio. Sua preparação a partir da cromita com NaOH e oxidação com o ar já foi descrita acima. Porém, pode ser também preparado por fusão com Na 2 CO 3 :
4FeCr 2 O 4 + 8Na 2 CO 3 + 7O 2 => 8Na 2 CrO 4 + 2Fe 2 O 3 + 8CO 2
Ele é bastante solúvel em água e é um forte agente oxidante. O dicromato de sódio é um sólido de cor laranja, obtido por acidulação de uma solução de cromato. O dicromato é menos solúvel em água, e é muito usado como agente oxidante. Na análise volumétrica prefere-se o uso do dicromato de potássio no lugar de dcromato de sódio, pois o composto de sódio é higroscópico, enquanto que o composto de potássio não o é.
Quando se adiciona peróxido de hidrogênio a uma solução acidulada de um cromato ocorre uma reação complicada. Os produtos dependem do pH e da concentração de Cr.
Cr 2 O 7 2- + 2H + + 4H 2 O 2 => 2CrO(O 2 ) 2 + 5H 2 O
Forma-se um peroxo-composto, CrO(O 2 ) 2 , de cor violeta intensa. Em solu'cão aquosa esse composto se decompõe rapidamente em Cr3+ e oxigênio. O peroxo-composto pode ser extraído por éter, no qual ele reage com piridina, formando o aduto piridina CrO(O 2 ) 2 .Em soluções menos ácidas o dicromato de potássio e a água oxigenada formam sais diamagnéticos de coloração violeta.
Ácido Crômico (CrO 3 )
O trióxido de cromo é um sólido alaranjado brilhante, comunente chamado de ácido crômico. É preaparado usualmente adicionando ácido sulfúrico concentrado a uma solução saturada de dicromato de sódio.
Na 2 Cr 2 O 7 + H 2 SO 4 => 2CrO 3 + Na 2 SO 4 + H 2 O
Entre suas aplicações pode- citar o uso em soluções para cromação, podendo ser usado em ácido acético como oxidante na química orgânica, embora as reações possam ser explosivas. Soluções de ácido crômico (sulfocrômica) são utilizadas em laboratório para limpeza de vidraria, pois oxidam toda matéria orgânica presente na sujeira.
Quanto à sua importância biológica, o Cr são necessários na dieta de maméferos. O Cromo trivalente e a insulina estão ambos envolvidos na manutenção do nível correto de glicose na sangue. Em casos de deficiência de Cr, a velocidade de remoção da glicose do sangue é metade da velocidade normal. Alguns casos de diabetes podem refletir um metabolismo defeituoso de Cr. O aspecto médico mais importante dos sais de cromo é o carater cancerígeno dos mesmos, quando ingeridos ou em contato com a pele em maiores quantidades.
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Estanho
O único minério importante é a cassiterita, SnO 2 . A produção por mineração foi de 205.000 toneladas (conteúdo em peso do metal) em 1988. Os principais fornecedores são atualmente o Brasil (21,5%), China (15%), Indonésia e Malásia (14% cada) , ex-URSS (8%), Tailândia (7%), Bolívia (5%) e Austrália (3%).
O SnO 2 é reduzido a metal usando carbono a 1200 - 1300 .C, num forno elétrico. O produto frequentemente contém traços de ferro, que tornam o metal mais duro. O Fe é removido introduzindo ar na mistura fundida, para oxidá-lo a FeO, que então flutua na superfície.
Os principais usos do estanho são a eletrodeposição sobre chapas de aços e na fabricação de ligas. Chapas de aço com revestimento de estanho são muito empregados na fabricação de embalagens de alimentos e bebidas. A liga mais importante de estanho é a liga para solda (Sn/Pb), mas há muitas outras, incluindo o bronze (Cu/Sn), "bronze duro"(Cu/Sn/Pb/Zn) e peltre (Sn/Sb/Cu) . O SnO 2 é usado na vitrificação de cerâmicas, e é frequentemente misturado com outros óxidos metálicos para ser usado como pigmento em cerâmica. SnCl 4 e Me 2 SnCl 2 são utilizados para depositar filmes muito finos de SnO 2 sobre o vidro. Com isso o vidro se torna mais resistente, permitindo a fabricação de frascos menos espessos, além de vidros resistentes à risco (lentes). Películas um pouco mais espessas são depositados sobre vidros planos, para reduzir as perdas ao calor. O filme de SnO 2 permite a passagem de luz visível mas reflete a radiação infravermelha, impedindo o resfriamento de ambientes. Um filme de SnO 2 é aplicado também em janelas de aviões, pois conduz eletricidade e assim calor, impedindo a deposição de gelo sobre o vidro. São usadas grandes quantidades de compostos orgânicos para as mais variáveis aplicações como estabilizantes do PVC, retardantes de chama e supressores de fumaça, agente controladores de fungos na agricultura e em tintas de uso marinho pois impede a incrustração de cracas.
Em galvanoplastia o processo de estanhagem tem aplicações variadas, entre elas na eletroeletrônica como contatos elétricos, na indústria automobilística, como em sistemas de abastecimento de diesel e alimentícia, como em destiladores.
Na indústria de alimentos o estanho é utilizado em latas de folha de flandres ( aços revestido com estanho) para evitar a corrosão. Porém para evitar a deteriorização de alimentos, são adicionados conservantes, entre eles o ácido cítrico, que podem atacar alguns recipientes metálicos. Estudos recentes mostram ataque destes conservantes à película de estanho, ocasionando a contaminação de alimentos. Para evitar este ataque recomenda-se o revestimento da parte interna dessas latas com resina epóxi-fenólica. Uma alternativa ao uso do estanho está no aço inoxidável, que é um material resistente à corrosão e também de fácil limpeza. Entretanto diversos casos de corrosão por pites de corrosão sob tensão fraturante de aços inoxidáveis dos tipos AISI 204 e 316 têm ocorrido em indústrias de alimentos. Mesmo que a ação corrosiva seja pequena, observa-se que mínimas quantidades de :
- Zinco, Ferro e Cobre: modificam o aroma do leite
- Ferro: pode reagir com tanino ocasionando escurecimento de vegetais
- Estanho
: turvação em cerveja e vinhos brancos
- Chumbo: Saturnismo, doença que ataca o sistema nervoso
Os principais compostos inorgânicos de estanho são o cloreto estanoso, o cloreto estânico e o estanato de sódio ou potássio.
Algumas equações podem ser citadas:
Sn + 2HCl à SnCl 2 + H 2
6Sn + 24HClO 3 à SnCl 4 + 5Sn(ClO 3 ) 4 + 12H 2 O
Sn + H 2 SO 4 à Sn SO 4 + H 2
4Sn + 10HNO 3 à 4Sn(NO 3 ) 2 + 3 H 2 O + NH 4 NO 3
SnCl 2 + HgCl 2 à SnCl 4 + Hg
SnCl 4 + Fe à SnCl 2 + FeCl 2
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Níquel
Símbolo: Ni
Estado: Sólido
Grupo: VIII
nº Atômico: 28
Peso Atômico: 58,71
Valências: 2,3
Isópos: 5 estáveis
Fusão: 1455. C
Ebulição: 2732. C |
O Níquel é o vigésimo-segundo elemento mais abundante em peso na crosta terrestre. Minérios de níquel de importância econômica incluem sulfeto, geralmente misturados com sulfetos de Fe ou Cu, e depósitos aluviais de silicatos e óxidos/hidróxidos. O minério mais importante é a pentlandita, (Fe,Ni) 9 S 8 . Ela apresenta sempre uma proporção de Fe:Ni de 1:1. Ocorre quase sempre com uma forma de FeS chamado pirrotita - os dois têm cor de bronze e são encontrados na ex-URSS , Canadá e Africa do Sul. Antigamente eram importantes diversos outros minérios do grupo dos sulfetos e dos arsenetos , tais como milerita, NiS, nicolita ,NiAs , e a pirita arsenical de Níquel, NiAsS, que hoje são pouco usados. Depósitos aluviais importantes incluem a garnierita, um silicato de magnésio e níquel de composição variável (Mg,Ni) 6 Si 4 O 10 (OH) 8 , e a limonita niquelífera (Fe,Ni)O(OH)(H 2 O) n . Os minérios extraídos em 1988 continham cerca de 860.000 toneladas de níquel. Os produtores principais foram o Canadá (25%), a ex-URSS (24%) e Austrália, Nova Caledônia e Indonésia com 7% cada.
A extração do níquel de seus minérios é dificultada pela presença de outros metais. Minérios do grupo dos sulfetos são hoje a principal fonte do níquel produzido. O minério é concentrado por flotação e por métodos magnéticos, e a seguir aquecido com SiO 2 . O FeS se decompões a FeO, que reage com o SiO 2 formando FeSiO 3 como escória de fácil remoção. A mate dos sulfetos é resfriada lentamente, com formação de uma camada prateada superior de Cu2S e uma camada preta inferior de Ni 2 S 3 , que pode ser separada mecanicamente ( também se forma uma pequena quantidade de uma liga metálica Cu/Ni ) O Ni 2 S 3 é então aquecido com ar e convertido em NiO. Este último pode ser utilizado diretamente na indústria do aço. O NiO também pode ser reduzido ao metal pelo carbono, num forno. O metal é fundido em eletrodos, que são purificados por eletrólise numa solução aquosa de Sulfato de níquel.
O processo Mond é um método alternativo para produzir Ni de elevada pureza. Esse método foi patenteado por L. Mond e utilizado no sul do País de Gales de 1899 até a década de 1970. NiO e gás d'água (H 2 e CO) são aquecidos à pressão atmosférica a 50.C . O H 2 reduz o NiO a Ni, que por sua vez reage com o CO formando o tetracarbonilníquel (volátil e altamente inflamável e tóxico). As impurezas permanecem no estado sólido. Aquecido a 230 .C, o gás de decompões formando o metal puro e CO, que é reciclado. Uma fábrica recém construída no Canadá utiliza CO e metal impuro, porém opera a 150 .C e 20 atm de pressão para obter o Ni(CO) 4 .
Ni + 4CO - ( 50.C ) -> Ni(CO) 4 - ( 230.C ) -> Ni + 4CO
A maior parte do níquel produzido é consumida na fabricação de ligas ferrosas e não ferrosas. O níquel melhora a resistência do aço e sua capacidade de resistir aos ataques químicos. Em 1985 foram produzidos 385.000 toneladas de ferro-níquel. O aço inoxidável pode conter de 12 a 15% de Ni, e o aço para cutelaria contém 20% de Cr e 10 % de Ni. Ímãs permanentes muito fortes são fabricados com liga de aço "alnico". O metal monel resiste bem à corrosão e é usado em equipamentos em que se manuseiam gás flúor e outros fluoretos corrosivos. Essa liga contém 68% de Ni e 32 % de Cu e traços de Fe e Mn. Diversas ligas não ferrosas são importantes. As ligas da série "nimonica"(75% de Ni, com Cr, Co, Al e Ti) são utilizados em turbinas de motores a jato onde resistem a elevadas tensões e temperaturas. Outras, como o "hastelloy C", devem seu emprego à elevada resistência à corrosão. O "nicromo" contém 60% de Ni e 40% de Cr e é usado em filamentos que se aquecem ao rubro em radiadores elétricos. O cupro níquel (80% de Cu e 20% de Ni) é usado em moedas de "prata".
O níquel ainda é utilizado em acumuladores de Ni/Fe, que têm a vantagem de poderem ser carregados rapidamente sem danos às placas da bateria. Pequenas quantidade de níquel finamente divididos são empregados em muitas processos de redução. Entre os exemplos estão a fabricação de hexametilenodiamina, a obtenção de hidrogênio a partir de amônia, e a redução de antraquinona a antraquinol na fabricação de peróxido de hidrogênio.
Em galvanoplastia, o níquel é utilizado em construção civil e eletro-eletrônica, ou ainda em equipamentos onde a alta resistência à álcalis é necessária. O níquel é ainda utilizado para base para a posterior cromação.
Algumas reações químicas podem ser citadas:
2Ni + O 2 à 2NiO
Ni + F 2 à NiF 2
Ni + Cl 2 à NiCl 2
Ni + 2H + à Ni 2+ + H 2 (desde que os ácidos sejam HCl ou HNO 3 diluído)
Ni + HNO 3 conc. à passivo
Ni + água Régia à passivo
Ni 2+ + S 2- à NiS (precipitado preto)
3NiS + 2HNO 3 + 6HCl à NiCl 2 + 2NO + 3S + 4H 2 O
NiCl 2 + (CH 3 ) 2 C 2 N 2 O 2 H 2 à [(CH 3 ) 2 C 2 N 2 O 2 H] 2 Ni + 2HCl
2NiSO 4 + 2NH 4 OH à (NiOH) 2 SO 4 + (NH 4 ) 2 SO 4
Ni(CN) 2 + 2KCN à K 2 Ni(CN) 4
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Ouro
Símbolo: Au
Estado: Sólido
Grupo: III B
nº Atômico: 79
Peso Atômico: 196,9665
Valências: 1,3
Isópos:
Fusão: 1063. C
Ebulição: 2808. C
No decorrer de sua história, o ouro tem sido encontrado na forma nativa, como pepitas. Achados dessa natureza desencadearam "corridas do ouro" , por exemplo nos EUA. Contudo, o ouro ocorre sobretudo na forma de pequenos grãos de metal disseminados em veios de quartzo. Muitas dessas rochas forma erodidas pelo tempo. O ouro e rochas decompostas são lavadas e arrastadas para cursos de água, acumulando-se como sedimentos nos leitos dos rios. Os grãos de ouro podem ser separados da areia com o auxílio de batéias. O ouro é muito denso (19,3 g/cm 3 ) e se sedimenta rapidamente, mas a sílica, com uma densidade de 2,5 g/cm 3 , precipita mais lentamente e é desprezada com a água. Esse procedimento é hoje pouco usado, pois os depósitos de ouro estão quase esgotados. Modernamente, as rochas contendo traços de ouro são moídas e o ouro é extraído como mercúrio ou cianeto de sódio. A água e a rocha moída são passadas sobre o mercúrio, no qual o ouro dissolve-se formando uma amálgama. O ouro é recuperado destilando-se a amálgama, com o que se separa o mercúrio, que pode ser reaproveitado. No Brasil, esse procedimento tem sido utilizado com água dos rios e areia aurífera. As perdas de mercúrio contaminaram consideráveis trechos de rios da Bacia Amazônica, provocando problemas ambientais. No "processo do cianeto", as rochas moídas são tratadas com solução de 0,1% a 0,2% de NaCN em água, e aeradas.
4Au + 8NaCN + 2H 2 O + O 2 à 4Na[Au(CN) 2 ] + 4NaOH
O complexo argentocianeto de sódio é solúvel, separando-se assim o ouro do restante da rocha. Dessa solução o ouro é precipitado, adicionando-se Zn em pó. A produção mundial de ouro foi de 1785 toneladas em 1988, e os principais produtores forma a África do Sul (35%), a ex-URSS (16%), Estados Unidos (11%), Austrália (9%) e Canadá (7%).
Os principais usos do ouro incluem seu emprego como ouro em barra, que serve como padrão monetário internacional e a joalheria. O ouro empregado em joalheria é geralmente uma liga com uma mistura de Cu e Ag. Essas ligas conservam a cor dourada, mas são mais duras. A quantidade de ouro presente nas ligas é expressa em quilates. O mouro puro tem 24 quilates. As ligas geralmente têm 9 quilates, 18 quilates e 22 quilates, que contêm respectivamente 9/24, 18/24 e 22/24 de ouro puro. Pequenas quantidades de ouro são usadas para fabricar contatos elétricos resistentes à corrosão, por exemplo em computadores. Uma película fina de 10 - 11 m de espessura é ás vezes depositadas sobre vidros de janelas de edifícios de luxo. Essa fina película metálica reflete no verão o calor indesejado do sol, evitando aquecimento do interior do edifício. No inverno, a película conserva o calor interno.
Em galvanoplastia, a douração é utilizada na indústria micro-eletrônica devido à excelente condutibilidade do ouro (depois da prata e cobre).
Algumas reações podem ser citadas:
Au + HNO 3 + 4HCl à H[AuCl 4 ] + NO + 2H 2 O
2H[AuCl 4 ] + 3H 2 S à Au 2 S + S + 8HCl
2H[AuCl 4 ] + 3H 2 C 2 O 4 à 2Au + 8HCl + 6CO 2
2H[AuCl 4 ] + 3SnCl 2 à 3SnCl 4 + 2Au + 2HCl
2H[AuCl 4 ] + 3H 2 O 2 + 8NaOH à 2Au + 8NaCl + 3O 2 + 8H 2 O
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NOÇÕES DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL |
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Introdução
A importância do ar para o homem é por demais conhecida, sob o aspecto da necessidade de oxigênio para o metabolismo.
Por outro lado, a movimentação de ar natural, isto é, através dos ventos, é responsável pela troca de temperatura e umidade que sentimos diariamente, dependendo do clima da região. A movimentação do ar por meios não naturais constitui-se no principal objetivo dos equipamentos de ventilação, ar condicionado e aquecimento, transmitindo ou absorvendo energia do ambiente, ou mesmo transportando material, atuando num padrão de grande eficiência sempre que utilizado em equipamentos adequadamente projetados. A forma pela qual se processa a transferência de energia e que da ao ar capacidade de desempenhar determinada função. A velocidade, a pressão, a temperatura e a umidade envolvem mudanças nas condições ambientais, tornando-as propícias ao bem-estar do trabalhador.
A ventilação industrial tem sido e continua sendo a principal medida de controle efetiva para ambientes de trabalho prejudiciais ao ser humano. No campo da higiene do trabalho, a ventilação tem a finalidade de evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial, bem como diluir concentrações de gases, vapores e promover conforto térmico ao homem. Assim sendo, a ventilação é um método para se evitarem doenças profissionais oriundas da concentração de pó em suspensão no ar, gases tóxicos ou venenosos, vapores, etc. O controle adequado da poluição do ar tem início com uma adequada ventilação das operações e processos industriais (máquinas, tornos, equipamentos, etc.), seguindo-se uma escolha conveniente de um coletor dos poluentes (filtros, ciclones, etc.). Todavia, ao se aplicar a ventilação numa industria, é preciso verificar antes, as condições das máquinas, equipamentos, bem como o processo existente, a fim de se obter a melhor eficiência na ventilação. A modernização das industrias, Isto é, mecanização e/ou automação, além de aumentar a produção melhora sensivelmente a higiene do trabalho com relação a poeiras, gases, etc.
Pré-requisitos necessários:
Projeto, construção, manutenção de maquinaria e equipamentos industriais.
Ao se projetar um edifício industrial, é preciso levar em consideração a disposição geral das máquinas, circulação do pessoal e altura (pé direito) visando possibilitar uma ventilação natural pelas aberturas de janelas. Quanto as maquinas e aos equipamentos que poluem o ambiente de trabalho, devem ser cuidadosamente projetados, prevendo-se enclausuramentos, anteparos, mecanização e não permitindo que poeiras, gases, vapores, etc. sejam dispersos no ambiente.
b) Substituição de materiais nocivos por outros menos nocivos.
A princípio, qualquer material pode ser manipulado com segurança; no entanto, as substancias toxicas ou prejudiciais ao ser humano podem ser substituídas por outras menos nocivas.
Como exemplo temos:
1. Nos trabalhos de pintura, o carbonato básico de chumbo é prejudicial ao organismo humano e pode ser substituído por compostos de titânio e zinco.
2. Como solvente orgânico o tolueno pode substituir o benzeno, por ser este altamente toxico.
3. Utilização de abrasivos artificiais em vez de pedras naturais, que desprendem pó de sílica, provocando a silicose no homem.
c) Modificação de processos e métodos de trabalho
Os processos mecânicos geralmente poluem menos que os manuais; exemplos:
- Fábricas de bateria: ajuste mecânico da pasta de óxido de chumbo para manufatura
de placas. Quando manual, o excesso caía no chão, e, depois de seco, liberava
poeira para o ambiente.
Redução da evaporação de solventes nos tanques de desengraxamento, mediante regulagem automática de temperatura do banho.
d) Umectação
É um antigo método usado na industria cerâmica inglesa, permanecendo até os dias de hoje, em que as peças de cerâmica são molhadas, evitando-se a emanação de poeira quando da sua manipulação.
Exemplo: perfuração de minas, britadores , moinhos , etc.
Em ambientes industriais em que são manipulados produtos considerados perigosos em relação a combustão ou explosão, tais como processos industriais, depósitos , transporte, etc, é necessário controlar a temperatura e a umidade relativa do ar. O ar condicionado atua nesses ambientes, mantendo as condições exigidas para cada tipo de produto utilizado, agindo, inclusive, como renovador de ar ambiental.
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Características da ventilação industrial
Composição do ar
A composição aproximada do ar, sob três diferentes condições, é dada na Tabela 1, considerando-se ar limpo e isento de poluentes em geral.
Tabela 1. Composição do ar (percentagem em volume)
| Componente |
Ar externo
(seco) |
Ar interno
(21º C, U.R. 50%) |
Ar expirado
(36º C, U.R. 100%) |
| Gás inertes |
79,00 |
78,00 |
75,00 |
| Oxigênio |
20,97 |
20,69 |
16,00 |
| Vapor d'água |
0,00 |
1,25 |
5,00 |
| Dióxido de carbono |
0,03 |
0,06 |
4,00 |
Um adulto, mesmo executando trabalhos pesados ,respira até cerca de 40 litros de ar por minuto, consumindo 02 litros de oxigênio e exalando 1,7 litro de Dióxido de carbono, aproximadamente.
Necessidades humanas de ventilação
A ventilação de residências, espaços comerciais e escritórios é necessária para controlar odores corporais, fumaça de cigarro, odores de cozinha e outras impurezas odoríficas, e não para manter a quantidade necessária de oxigênio ou remover o Dióxido de carbono produzido pela respiração. Isso é verdadeiro, pois a construção padrão de edifícios para ocupação humana não pode prevenir a infiltração ou a saída de quantidades de ar, mesmo quando todas as janelas, portas e aberturas no forro estiverem fechadas. Dados publica dos sobre as quantidades de ar, normalmente disponíveis pela ventilação natural ou infiltração, indicam que a sufocação por deficiência de oxigênio ou excesso de gás carbônico, como resultantes da respiração humana, é potencialmente impossível em construções não subterrâneas
Classificação dos sistemas de ventilação
Para a classificação dos sistemas de ventilação, é preciso levar em conta a finalidade a que se destinam. Dessa forma, os objetivos da ventilação são:
a) Ventilação para manutenção do conforto térmico
- Restabelecer as condições atmosféricas num ambiente alterado pela presença do homem.
- Refrigerar o ambiente no verão. Aquecer o ambiente no inverno.
b) Ventilação para manutenção da saúde e segurança do homem
- Reduzir concentrações no ar de gases vapores, Aerodispersoides em geral, nocivos ao homem, até que baixe a níveis compatíveis com a saúde.
- Manter concentrações de gases, vapores e poeiras inflamáveis ou explosivos fora das faixas de inflamabilidade ou de explosividade.
c) Ventilação para conservação de materiais e equipamentos (por imposição tecnológica)
- Reduzir aquecimento de motores elétricos, máquinas, etc.
- Isolar cabines elétricas, não permitindo entrada de vapores, gases ou poeiras inflamáveis, com a finalidade de se evitar explosão, por meio de faíscas elétricas.
Manter produtos industriais em armazéns ventilados, com o fim de se evitar deterioração. Tipos de ventilação
Os tipos de ventilação, empregados para qualquer finalidade, são assim classificados:
a) Ventilação natural.
b) Ventilação geral
c) Ventilação geral para conforto térmico.
d)Ventilação geral diluídora
e) Ventilação local exaustora (Sistema)
Ar condicionado
Evidentemente, o ar pode ser condicionado artificialmente. Segundo definição da American Society of Heating, Refrigeratind and Air Conditioning Engineers (ASHRAE), "ar condicionado e o processo de tratamento do ar de modo a controlar simultaneamente a temperatura, a umidade, a pureza e a distribui, para atender as necessidades do recinto condicionado", ocupado ou não pelo homem.
As aplicações do ar condicionado são inúmeras, podendo ser citadas, entre outras, as seguintes:
a) Processos de fabricação de certos produtos que devem ser feitos em recintos com umidade,
temperatura e pureza controladas; por exemplo, fabricação de produtos farmacêuticos,
alimentícios, impressão de cores, industrias testeis, de solventes, etc.
b) Conforto do indivíduo e produtividade.
c) Hospitais: salas de operação, salas de recuperação e quartos para tratamento de doentes
alérgicos, etc.
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Ventilação natural Considerações gerais
A ventilação natural é o movimento de ar num ambiente de trabalho, provocado por ventos externos e que pode ser controlado por meio de aberturas, como portas, janelas , etc.
Infiltração é o movimento do ar não controlado, de fora para dentro e de dentro para fora de um ambiente, através de frestas de janelas e portas, de paredes, pisos e forros, e por outras aberturas existentes.
Figura 1. Exemplo de circulação de ar num ambiente.
O fluxo de ar que entra ou sai de um edifício por ventilação natural ou infiltração depende da diferença de pressão entre as partes interna e externa e da resistência ao fluxo fornecido pelas aberturas. A diferença de pressões exercida sobre o edifício pelo ar pode ser causada pelo vento ou pela diferença de densidade de ar fora e dentro do edifício. O efeito de diferença de densidade, conhecido como "efeito de chaminé", é freqüentemente o principal fator. Quando a temperatura no interior de um determinado ambiente é maior que a temperatura externa, produz-se uma pressão interna negativa e um fluxo de ar entra pelas partes inferiores, o que causa uma pressão interna positiva, e um fluxo de ar sai nas partes superiores do edifício (vide Figura 2).
Ti - Temperatura interna,
Te - Temperatura externa.
Figura 2. Circulação de ar num ambiente quando Ti >Te.
As janelas têm a vantagem de iluminar, bem como de ventilar, quando abertas. As partes moveis dessas aberturas permitem até certo ponto o controle da quantidade de ar que esta sendo movimentada; defletores podem ser usados para controlar a distribuição das correntes. As aberturas no telhado são geralmente protegidas por uma cobertura, para impedir a entrada de chuva e reversão do ar que sai. A quantidade de ar que passa através da abertura depende da diferença de temperatura interna e externa.
Regras gerais
Em resumo, os efeitos da corrente de ar num ambiente dependem: dos seguintes fatores
- movimento devi do aos ventos externos;
- movimento devido á diferença de temperatura;
- efeito de aberturas desiguais.
As regras gerais para construção de edifícios são: A - Edifícios e equipamentos em geral devem ser projetados para ventilação efetiva,
independente das direções de vento.
B - Aberturas como portas, janelas, etc. não devem ser obstruídas.
C - Uma quantidade maior de ar por área total abertura é obtida usando-se áreas
iguais de aberturas de entrada saída.
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Considerações gerais
A ventilação geral é um dos métodos disponíveis para controle de um ambiente ocupacional. Consiste em movimentar o ar num ambiente através de ventiladores; também chamada ventilação mecânica.
Um ventilador pode insuflar ar num ambiente, tomando ar externo, ou exaurir ar desse mesmo ambiente para o exterior. Quando um ventilador funciona no sentido de exaurir ar de um ambiente e comumente chamado de exaustor.
Num ambiente, a pressão atmosférica comum, a insuflação e a exaustão provocam uma pequena variação da pressão (considerada desprezível).Dessa forma, a insuflação é chamada de pressão positiva e a exaustão de pressão negativa.
A ventilação geral pode ser fornecida pelos seguintes métodos:
- insuflação mecânica e exaustão natural;
- insuflação natural e exaustão mecânica;
- insuflação e exaustão mecânica.
A insuflação mecânica, ventilando ar externo num ambiente, nem sempre é recomendável, uma vez que o ar externo pode estar contaminado de impurezas, ou ainda, com temperatura e umidade relativa inadequadas.
Definições:
Vazão: Q
É um volume de ar que se deslocou num ambiente ou numa tubulação na unidade de tempo, sendo v o volume medido em:
Sendo V o volume medido em m³ (metros cúbicos) ou Ft³ ( pés cúbicos) e o T o tempo medido em: h (hora) ou min. (minutos) Dessa forma, a vazão de ar será medida nas unidades: m³/h (metros cúbicos por hora) ou Ft³/min (pés cúbicos por hora), também escrita sob a forma CFM (cubic feet per minute).
Velocidade: v
É a distancia percorrida por um ponto material na unidade de tempo.
sendo d a distância medida em: m (metros) ou Ft ( pés ), e t o tempo medido em: s (segundos) ou min (minutos). Dessa forma, as unidades de velocidade de ar será: n/s (metros por segundo) ou Ft/min o ( pés por minuto) também escrita sob a forma FPN (feet per minute)
Taxa de renovação de ar: T
Entende-se por taxa de renovação ou numero de trocas de ar num ambiente o numero de vezes que o volume de ar desse ambiente é trocado na unidade de tempo.
sendo Q a vazão e V o volume. A relação entre a vazão e o volume resulta em um numero que depende somente do tempo. Por exemplo, quando a vazão é expressa em m/h e o volume em m 3 / h, e o volume em m³, resulta um numero T expresso por hora.
Ventilação geral para conforto térmico
No campo da ventilação industrial e da não industrial, a ventilação destinada à de conforto térmico é das mais importantes e possui tal extensão que constitui um capitulo especial. Neste tópico serão abordados apenas conceitos básicos sobre o assunto e serão fornecidos alguns dados preliminares para uma iniciação e elaboração de projetos, não se entrando, no entanto, nos aspectos de condicionamento de ar. Em outras palavras, serão fornecidos alguns dados de conforto ambiental, dados para cálculos de trocas (renovação), reposição e recirculação de ar em ambientes, isto é, necessidades de ventilação conforme ambientes ocupados pelo homem, bem como diminuição de fumos e odores por insuflamento de ar.
Temperaturas extremamente baixas não ocorrem com freqüência no Brasil, com exceção de alguns casos esporádicos, em algumas localidades no sul do país. Dessa forma, não nos referiremos, em parte alguma do texto, a aquecimento de ar para promoção de conforto térmico, uma vez que a simples utilização da vestimenta adequada soluciona os problemas usualmente encontrados.
Calor e conforto térmico
Aspectos gerais: o homem é um ser tropical por excelência, possuindo uma capacidade bastante desenvolvida de: transpiração. Um grande numero de indivíduos está, parte do tempo, exposto a temperatura, mais altas que a temperatura ambiente principalmente em seu ambiente ocupacional, onde uma serie de fatores climáticos e não climáticos conduzem a um ganho ou a uma menor dissipação de calor pelo organismo. A esse tipo de estímulo o organismo responde fisiologicanente, refletindo a severidade da exposição ao calor, para cujo equacionamento completo e adequado é necessário medir quantitativamente a ação do calor, bem como a resposta do organismo,
correlacionando-as; essa é uma tarefa difícil em função de vários para metros intervenientes, tais como temperatura do ar, umidade relativa, calor radiante, velocidade do ar, tipo de trabalho exercido, aclimatação, roupa utilizada e outros.
Dessa forma, torna-se necessária a fixação de critérios que permitem estabelecer os limites de exposição ao calor em diferentes tipos de trabalho e a redução da exposição para respostas excessivas do organismo. Os critérios assim desenvolvidos devem levar em conta não só a resposta fisiológica, mas também a psicológica, a produtividade e a ocorrência de desordens devido ao calor.
Renovação do ar ambiente
Requisitos de ventilação: varias medidas podem ser tomadas para se evitar a exposição de pessoas a condições de alta temperatura. Por exemplo, enclausuramento e isolamento de fontes quentes, vestimentas, barreiras protetoras, diminuição do tempo de exposição, etc.
Na tabela a seguir são indicadas as relações de espaço ocupado e vazões necessárias para varias situações:
Tabela 2. Critérios sugeridos para projetos gerais de ventilação de ambientes (ASHRAE - American Society of Heating Refrigerating and Air Conditioning Engineering, Guide an Data Book).
| Área Funcional |
Taxa de Renovação (Troca por hora) |
Ft 3 /min
por pessoa |
| Hospitais (sala de anestesia) |
8-12 |
- |
| Salas de animais |
12-16 |
- |
| Auditórios |
10-20 |
10 |
| Hospitais (salas de autopsia) |
8-12 |
10 |
| Padaria e confeitaria |
20-60 |
- |
| Boliches |
15-30 |
30 |
| Igrejas |
15-25 |
5 |
| Hospitais (salas de citoscopia) |
8-10 |
20 |
| Salas de aula |
10-30 |
40 |
| Salas de conferencia |
25-35 |
- |
| Corredores |
3-10 |
- |
| Hospitais (salas |
8-12 |
- |
| Leiterias |
2-15 |
- |
| Lavagem de pratos |
30-60 |
- |
| Lavagem a seco |
20-40 |
- |
| Fundições |
5-20 |
- |
| Ginásios |
5-30 |
1,5 por pé quadrado |
| Garagens |
6-10 |
- |
| Hospitais(salas hidroterapia) |
6-10 |
- |
| Hospitais (salas de isolamento) |
8-12 |
- |
| Cozinhas |
10-30 |
- |
| Lavanderias |
10-60 |
- |
| Bibliotecas |
15-25 |
10 |
| Bibliotecas |
15-25 |
10 |
| Salas de deposito |
2-15 |
- |
| Pequenas oficinas |
8-12 |
- |
| Hospitais (suprimentos) |
6-10 |
- |
| Berçários |
10-15 |
- |
| Escritórios |
6-20 |
10 |
| Hospitais (salas de operação) |
10-15 |
- |
| 10-22 |
- |
| Radiologia |
6-10 |
- |
| Restaurantes |
6-20 |
10 |
| Lojas |
18-22 |
10 |
| Residências |
5-20 |
- |
| Equipamentos telefônicos |
6-10 |
- |
| Salas de controle de tráfego aéreo |
10-22 |
10 |
| Toaletes |
8-20 |
- |
| Soldas a arco voltaico |
18-22 |
- |
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Nesta tabela foi prevista a remoção de odores corporais, nível de atividade do indivíduo, bem como remoção de calor.
Recomendações gerais
- As trocas de ar de até oito vezes por hora são suficientes para remover contaminantes emitidos por ocupantes. O limite superior da faixa é recomendado para remover calor e vapor em zonas temperadas. Em climas quentes, sugere-se o dobro dos valores da tabela.
- Se ocorrer o uso do fumo, deve-se usar o dobro do valor da tabela (G. Woods, Pratical Guide to Fao Engineering
- Não se prevê uso de equipamento de limpeza de ar. O espaço não deve ser inferior a 150 Ft³/pessoa ou 15 Ft²/pessoa
- O limite inferior é o mínimo e o limite superior é o recomendado (mesma referência).
Ventilação Geral Diluidora
A ventilação geral diluídora é o método de insuflar ar em um ambiente ocupacional, de exaurir ar desse ambiente, ou ambos, a fim de promover uma redução na concentração de poluentes nocivos. Essa redução ocorre pelo fato de que, ao introduzirmos ar limpo ou não poluído em um ambiente contendo certa massa de determinado poluente, faremos com que essa massa seja dispersada ou diluída em um volume maior de ar, reduzindo, portanto, a concentração desses poluentes. A primeira observação a ser feita é a de que esse método de ventilação não impede a emissão dos poluentes para o ambiente de trabalho, mas simplesmente os dilui.
A alternativa a este tipo de ventilação é a ventilação local exaustora (será vista no próximo capítulo) que capta os poluentes junto à fonte de emissão antes que sejam emitidos ao ambiente ocupacional. Este ultimo método e sempre preferível à ventilação geral diluídora, especialmente quando o objetivo do sistema de ventilação é a proteção da saúde do trabalhador.
Os objetivos de um sistema de ventilação geral diluídora podem ser:
- Proteção da saúde do trabalhador: reduzindo a concentração de poluentes nocivos abaixo de um certo limite de tolerância.
- Segurança do trabalhador: reduzindo a concentração de poluentes explosivos ou inflamáveis abaixo dos limites de explosividade e inflamabilidade.
- Conforto e eficiência do trabalhador: pela manutenção da temperatura e umidade do ar do ambiente.
- Proteção de materiais ou equipamentos: mantendo condições atmosféricas adequadas (impostas por motivos tecnológicos).
Em casos que não é possível ou não é viável a utilização de ventilação local exaustora, a ventilação geral diluídora pode ser usada.
Utilização da ventilação geral diluídora
A aplicação, com sucesso, da ventilação geral diluídora depende das seguintes condições
- poluente gerado não deve estar presente em quantidade que excede à que pode ser diluída com um adequado volume de ar.
- A distancia entre os trabalhadores e o ponto de geração do poluente deve ser suficiente para assegurar que os trabalhadores não estarão expostos a concentrações médias superiores ao VLT (Valor do Limite de Tolerância)
- A toxicidade do poluente deve ser baixa (deve ter alto VLT, Isto é, VLT > 500 ppm)
- poluente deve ser gerado em quantidade razoavelmente uniforme.
A ventilação geral diluídora, além de não interferir com as operações e processos industriais, é mais vantajosa que a ventilação local exaustora, nos locais de trabalho sujeitos a modificações constantes e quando as fontes geradoras de poluentes se encontrarem distribuídas no local de trabalho, mas, pode não ser vantajosa, pelo elevado custo de operação, sobretudo quando há necessidade de aquecimento do ar, nos meses de inverno; contudo, seu custo de instalação é relativamente baixo quando comparado com o da ventilação local exaustora. É conveniente a instalação de sistemas de ventilação geral diluídora quando há interesse na movimentação de grandes volumes de ar na estação quente. Diversas razoes levam a não utilização freqüente da ventilação geral diluídora para poeiras e fumos . A quantidade de material gerado é usualmente muito grande, e sua dissipação pelo ambiente é desaconselhavel. Além disso, o material pode ser muito toxico, requerendo, portanto, uma excessiva quantidade de ar de diluição.
O principio usado para ventilação de diluição de contaminantes, com relação a aberturas e colocação de exaustores, é sugerido pela (American Conference of Governmental Hygienists), comparando todas as formas possíveis (Figura 4). NORMA ACGIH - PRINCIPIOS DE VENTILAÇÃO DILUIDORA
Figura 4. Princípios de ventilação Diluidora - ACHIH.
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Ventilação Local Exaustora
A ventilação local exaustora tem como objetivo principal captar os poluentes de uma fonte (gases, vapores ou poeiras toxicas) antes que os mesmos se dispersem no ar do ambiente de trabalho, ou seja, antes que atinjam a zona de respiração do trabalhador. A ventilação de operações, processos e equipamentos, dos quais emanam poluentes para o ambiente, é uma importante medida de controle de riscos.
De forma indireta, a ventilação local exaustora também influi no bem-estar, na eficiência e na segurança do trabalhador, por exemplo, retirando do ambiente uma parcela do calor liberado por fontes quentes que eventualmente existam. Também no que se refere ao controle da poluição do ar da comunidade, a ventilação local exaustora tem papel importante. A fim de que os poluentes emitidos por uma fonte possam ser tratados em um equipamento de controle de poluentes (filtros, lavadoras, etc.), eles tem de ser captados e conduzidos a esses equipamentos, e isso, em grande numero de casos, é realizado por esse sistema de ventilação.
Basicamente, um esquema de instalação de um sistema de ventilação local exaustora é o seguinte.

Figura 5. Esquema de um sistema de ventilação local exaustora.
Princípios de exaustão
Um sistema de ventilação local exaustora deve ser projetada dentro das princípios de engenharia, ou seja, de maneira a se obter maior eficiência com o menor custo possível. Por outro lado devemos lembrar sempre que, na maioria das casos, o objetivo desse sistema é a proteção da saúde do homem; assim, este fator deve ser considerado em primeiro lugar, e todos os demais devem estar condicionados a ele.
Muitas vezes, a instalação de um sistema de ventilação local exaustara, embora bem dimensionada, pode apresentar falhas que a tornem inoperante, pela não observância de regras básicas na captação de poluentes na fonte.
O enclausuramento de operações ou processos, a direção do fluxo de ar, entre outros fatores, são condições básicas para uma boa captação e exausto dos poluentes
Como exemplo, a Figura 6, a seguir, ilustra a maneira correta de se proceder, comparada com as situações que tornam a exaustão inoperante, nos casos específicos de descarregamento de correias transportadoras e tanques de lavagem.
A ACGIH possui padrões de exausto da maioria dos processos e operações industriais, com forma e dimensões normalizadas.
ACGIH- PRINCIPIOS DE EXAUSTÃO

Figura 6. Princípios de exaustão - ACGIH.
Captores (Coifas)
São pontos de captura de poluentes, que, dimensionados convenientemente para uma fonte poluidora , irão enclausurar parte da fonte e, com um mínimo de energia ,consegue-se a entrada destes poluentes para o sistema de exaustão.
Esses captures devem induzir, na zona de emissão de poluentes, correntes de ar em velocidades tais que assegurem que os poluentes sejam carregados pelas mesmas para dentro do captor.
Em casos especiais, formas de captores devem ser desenhadas. Usualmente as dimensões do processo ou operação determinam as dimensões do captor e sua forma.
Vários tipos de captores são utilizados nas mais diversas aplicações industriais (vide Figura 7).

Figura 7. Tipos de captores (coifas)
A Figura 8, a seguir, mostra em detalhes um captor enclausurante para trabalhos com esmeris.
Para este caso, a ACGIH estabelece condições básicas, tais como dimensões em relação ao disco e vazões de ar mínimas, sendo considerado péssimo o enclausuramento quando a área do disco exposta exceder a 25%.
Evidentemente, estes valores são obtidos a partir de dados experimentais e após testes comparativos com inúmeros materiais de ensaio.

Figura 8 - Norma para captor de disco de esmeril.
Sistema de dutos (dimensionamento)
Una linha de dutos deverá ser instalada de acordo com o layout geral da fábrica, interligando captores ( coifas) ao sistema de coleta. Esta linha deverá ser do menor comprimento possível,
a fim de minimizar a perda de carga, consumindo dessa forma menos energia. Isto significa que o sistema de coleta constituído por um exaustor-coletor deverá ser instalado o mais próximo possível dos pontos de captação ( coifas ou captores).
Para o dimensionamento de dutos e captores, bem como das singularidades ao longo deles, o projetista deverá levar em consideração as vazões necessárias para cada captor, velocidade de transporte recomendada para o trecho principal dos dutos e as devidas perdas de carga, a fim de determinar a potência do motor e ventilador, bem como das secções dos dutos.
Para tanto, a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH) e demais literaturas a respeito possuem toda a informação necessária para o cálculo das perdas de carga, expressas em milímetros ou polegadas de coluna de água. Por conveniência, podem ser adotados:
- tubos: secção circular;
- cotovelos: 90º
- conexões : 30º
- raios de curvatura: r = 2d (duas vezes o diâmetro do duto).
É desaconselhavel o uso de tubos de secção retangular para sistemas de exaustão, por apresentarem cantos vivo, que facilitam a deposição de poeira, e que exigem, portanto, motor de maior potência para manter a eficiência necessária; Alan disso, haverá um maior desgaste dos dutos, implicando em freqüentes manutenções. É interessante a adoção de valores fixos (por exemplo, raio de curvatura r = 2d), o que significa que todas as curvaturas serão semelhantes, dando um aspecto arquitetônico a instalação, mesmo com pequeno acréscimo de perda de carga. A Figura 9, a seguir, mostra uma instalação dutos interligados a um coletor e um exaustor.

Figura 9 - sistema de dutos.
Ventiladores
São os responsáveis pelo fornecimento de energia ao ar, com a finalidade de movimenta-lo, quer seja em ambientes quer seja em sistema de dutos.
A função básica de um ventilador é, pois, mover uma dada quantidade de ar por um sistema de ventilação a ele conectado.
Assim o ventilador deve gerar uma pressão estática suficiente para vencer as perdas do sistema e uma pressão cinética para manter o ar em movimento.
Basicamente, há dois tipos de ventiladores: os axiais e os centrífugos, conforme a Figura 10.
A) - Axial

Figura 10a
O ventilador de hélice (Figura 10a) consiste em uma hélice montada muna armação de controle de fluxo, com o motor apoiado por suportes normalmente presos à estrutura dessa armação. O ventilador é projetado para movimentar o ar de um espaço fechado a outro a pressões estáticas relativamente baixas. O tipo de armação e posição da hélice tem influência decisiva no desempenho do ar e eficiência do próprio ventilador.
b) Centrífugo

Figura 10b - tipo de ventilador centrífugo.
b) Ventiladores centrífugos
Um ventilador centrífugo (Figura 10b) consiste em um rotor, uma carcaça de conversão de pressão e um motor. O ar entra no centro do rotor em movimento na entrada, e acelerado pelas palhetas é impulsionado da periferia do rotor para fora da abertura de descarga.
Vantagens e desvantagens
Os tipos principais de ventiladores Axiais e Centrífugos são os da Figura 11
As principais vantagens essenciais de cada tipo são dadas a seguir.
a) - Axial propulsor. É tipo mais barato para mover grandes volumes de ar a baixas pressões, sendo freqüentemente utilizado para circulação de ar ambiente. Figura abaixo.

figura 11a - Axial Propulsor
b) Axial comum - Possui ampla calota central, que possibilita sua utilização a pressões mais elevadas. É freqüentemente usado em ventilação de minas subterrâneas e, em algumas ocasiões, em industrias. Nesse tipo de ventilador, a forma das pás é muito importante, e eles não devem ser usados onde haja risco de erosão e corrosão.

Figura 11b - Axial Comum
c) Tubo-axial - Trata-se de um propulsor, com pás mais grossas mais largas, colocado dentro de um tubo, o que permite direta conexão como dutos.

Figura 11c - Tubo axial
d) Centrífugo, pás para trás - Possui duas importantes vantagens: 1ª - apresenta maior eficiência e auto-limitação de potência. Isso significa que, se o ventilador está sendo usado em sua máxima potência, o motor não será sobrecarregado por mudanças de sistema de dutos. É um ventilador de alta eficiência e silencioso, se trabalhar num ponto adequado.

Figura 11d - Centrífugo com pás para trás
e) Centrífugo, pás radiais - Um ventilador robusto, para movimentar efluentes com grande carga de poeira, poeiras pegajosas e corrosivas. Apresenta menores possibilidades de "afogar", sendo usado para trabalhos mais pesados. A eficiência desse tipo de ventilador é baixa, e seu funcionamento, barulhento.

Figura 11e - Centrífugo com pás radiais.
f) - Centrífugo, pás para frente - M ais eficiente, tem maior capacidade exaustora a baixas velocidades, e não é adequado para trabalhos de alta pressão nem para altas cargas de poeira, apresentando problemas freqüentes de corrosão, se mal utilizado.

Figura 11f - Centrífugo com pás para frente
Leis dos ventiladores
Já vimos que a vazão varia com a rotação, que a pressão desenvolvida varia com o quadrado da rotação e que a potência varia com o cubo da rotação. Essas relações, acrescidas das que mostram a variação da vazão, da pressão e da potência, com a densidade do fluido e o tamanho do ventilador, constituem as chamadas leis dos ventiladores.
Usaremos a seguinte nomenclatura:
D = diâmetro de ventilador (pés);
Q = vazão exaurida (pés /min) pressão estática (pol. de H 2 0);
SP = rotações por minuto;
HP = potência transferida ao fluido (em horse power);
v = capacidade do ventilador (lb./min);
r = densidade do fluido gasoso (lb./pe³);
h = eficiência mecânica do ventilador.
As leis dos ventiladores podem ser expressas conforme segue.
- Para um dado ventilador exaurindo um gás de densidade constante,
v 1 = Q 1 = rpm 1
v 2 Q 2 rpm 2 SP 1 = (rpm 1 )
SP 2 (rpm 2 )
HP 1 = (rmp 1 )³
HP2 (rpm 2 ) 3
b ) Para um dado ventilador a rotação constante;
Q = constante, v 1 = P 1
v 2 P 2 SP 1 = P 1
SP 2 P 2
HP 1 = P 1
HP 2 P 2
C) A variação com o tamanho de d é:
A variação da vazão com a rotação faz com que muitos se proponham a aumenta-la com o objetivo de conseguir maiores vazões. Vale pois, lembrar o aumento da potência com o cubo da rotação, fazendo com que o motor originalmente utilizado nem sempre suporte esse aumento, havendo risco de que seja danificado. Cuidados de ordem estrutural do ventilador também devem ser tomados.
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Curva característica
A eficiência pode ser computada e plotada pelo uso da seguinte relação: N = Q x SP_
6356 x HP Cada curva é correspondente a um tamanho, a uma rotação e a una densidade. Se houver mudança em um desses parâmetros, a curva mudará, de acordo com a lei dos ventiladores. A forma da curva depende, em parte, do tipo de ventilador.
Dados necessários para a seleção correta de um ventilador
- Capacidade ou Vazão?
- Pressão Estática ou Total?
- Potência Absorvida?
- O ventilador será centrífugo ou axial?
- Pode ser silencioso, de médio ou alto ruído?
- Vai aspirar ar limpo, sujo, com pós, fiapos ou corrosivos?
- Sendo corrosivo, quais são os agentes?
- Qual a temperatura do ar aspirado?
- Qual o diâmetro da peça onde vai ser ligado o ventilador, se for o caso?
- Trata-se de instalação de ventilação para fins de conforto ou para fins de aspiração de poeiras, ou troca de calor, ou de ar condicionado, civil ou industrial, ou torres de arrefecimento de água, ou de cabine de pintura?
- Não sabendo a capacidade, indicar o volume do ambiente, o numero de pessoas presentes, a potência instalada, os Kg/Hora de óleo queimado, etc.
- No caso de o ventilador ser centrífugo, indicar a posição da boca de saída, olhando do lado do motor ou da polia.
- Qual é o diâmetro e o comprimento dos dutos onde vai ser ligado o ventilador?
- Quantas curvas tem esse duto?
- Esse duto termina na atmosfera ou dentro de una máquina? Como se chama essa máquina?
- Se vai aspirar de una coifa ou captor, quais as suas dimensões?
- No caso de substituição de ventilador existente, indicar:
Motor = Potência.........HP; RPM . . .; Volts.............
Transmissão direta ou por polia? . . . . . ; Material de que é feito.............
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