GERALTecnologia muda rotina da climatização, mobilidade e qualidade do ar

Último dia do Mercofrio 2026 mostrou como inteligência artificial, novos hábitos de mobilidade e exigências ambientais já influenciam o setor
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa futura e começa a mudar a forma como sistemas de climatização são operados. Ao mesmo tempo, mudanças na mobilidade criam novas demandas em garagens, a preocupação com a qualidade do ar amplia a atenção sobre a filtragem e a redução da pegada de carbono passa a influenciar escolhas técnicas.
Esses foram alguns dos temas que marcaram o terceiro e último dia do Mercofrio 2026, realizado nesta quinta-feira, 17 de setembro, no Centro de Eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A programação reuniu especialistas para discutir mudanças que já começam a impactar profissionais, empresas e usuários.
Realizado pela Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), o congresso chegou à 15ª edição com foco em inteligência artificial, eficiência e qualidade do ar.
Inteligência artificial sai da teoria
O primeiro palestrante do dia, Edemir Júnior, resgatou a evolução da climatização ao longo das últimas décadas, passando do controle térmico, no início do século passado, pela automação, controle digital e sistemas conectados, até chegar aos equipamentos orientados por dados e à inteligência artificial.
“Hoje avançamos para sistemas que preveem, diagnosticam e corrigem em tempo real. O próximo passo é o que chamo de inteligência climática, com edificações autônomas capazes de aprender, antecipar necessidades e se adaptar”, afirmou.
A inteligência artificial também começa a ampliar a capacidade dos sistemas de climatização de identificar problemas antes mesmo de uma intervenção humana. O especialista Alexandre Sermarini explicou que a tecnologia aprende o comportamento de cada edificação e consegue reconhecer situações fora do padrão.
“Hoje já conseguimos identificar, por exemplo, quando uma pressão está constantemente fora da faixa ou um equipamento opera por mais tempo do que deveria. Com a inteligência artificial, o sistema passa a entender o que é normal naquele prédio e sinaliza quando algo foge desse comportamento”, explicou.
Segundo o especialista, a tecnologia não funciona como “mágica”, mas a partir de algoritmos que evoluem continuamente e tornam o controle dos equipamentos mais preciso e eficiente.
Mobilidade também muda a ventilação das garagens
Outro destaque foi o uso de tecnologia para tornar a ventilação de garagens mais eficiente e segura. O engenheiro Leandro Wolff explicou que sensores podem identificar a concentração de gases, como monóxido de carbono e dióxido de carbono, e ajustar automaticamente a ventilação conforme a necessidade, reduzindo consumo de energia e ruído. As mudanças na mobilidade, incluindo o avanço dos veículos elétricos, também ampliam as discussões sobre segurança e novos critérios para esses ambientes.
“Precisamos buscar a melhor solução e também considerar o custo, mas não atender à norma jamais pode ser entendido como economia. Quando se retira um sensor previsto no projeto, por exemplo, o sistema pode acabar operando a 100% sem necessidade, aumentando consumo e ruído”, afirmou.
Filtragem ganha importância para quem respira o ar
A qualidade do ar também esteve presente na programação. O especialista Edmilson Silva abordou a importância da filtragem para conciliar qualidade do ar e eficiência energética. Segundo ele, a medição da concentração de partículas permite conhecer a condição do ar externo, definir a qualidade desejada no ambiente interno e, a partir disso, dimensionar a filtragem necessária.
“Hoje conseguimos medir a concentração de material particulado e sabemos qual condição queremos alcançar. Com essas informações, é possível calcular a redução necessária e definir a filtragem adequada para diferentes ambientes, como escritórios, cinemas, teatros ou indústrias”, explicou.
Sustentabilidade começa antes do consumo de energia
Outro tema foi o impacto ambiental dos próprios materiais e equipamentos utilizados nos sistemas. A Distinguished Lecturer da American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE), Juliana Pellegrini, abordou o carbono incorporado e a análise do ciclo de vida. Ela também chamou atenção para o crescimento da demanda por climatização, que pode responder por 16% do consumo global de eletricidade em 2050.
Para a especialista, esse cenário aumenta a responsabilidade dos profissionais do setor na busca por soluções que reduzam emissões ao longo de todo o ciclo de vida das edificações.
“Quem está aqui nesta sala hoje tem uma responsabilidade muito grande diante dessas informações. Precisamos olhar para todo o ciclo de vida das edificações e para as estratégias que podem reduzir consumo e emissões”, afirmou.
Na apresentação, Juliana também diferenciou conceitos como descarbonização, neutralidade de carbono e Net Zero, tendo como referência a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
A programação ainda contou com discussões sobre controle de fumaça em incêndios, exaustão de cozinhas profissionais, eficiência com menor pegada de carbono e propostas de revisão da NBR 16401, uma das normas técnicas de referência para sistemas de ar-condicionado em edificações.
Com o encerramento das atividades desta quinta-feira, o Mercofrio 2026 concluiu três dias de programação técnica em Porto Alegre. Mais informações podem ser obtidas em https://mercofrio.com.br/.
Redação: Marcelo Matusiak
Fotos: Marcelo Maia